- Ah, não sei se vou, cara. Estou querendo juntar uma grana...
- Que isso, mano, todo mundo vai e a gente nem vai gastar tanto. O maior risco que você corre é se viciar e não querer parar de ir.
Esse foi o finalzinho da conversa que tive com Antônio lá pelas sete horas do dia 3 de janeiro. Eu estava trabalhando e ele passou no McDonald's com Felipe e Milena. Estavam indo alugar as peças para esquiar e eu precisava me decidir para que alugassem ou não para mim. "Mas se for mesmo, tem que decidir agora, porque a loja já está fechando". No final me decidi pelo sim e entreguei o dinheiro. Uma das mais divertidamente sábias decisões que tomei desde que cheguei na terra do Tio Sam.
Pra alugar as roupas foi uma confusão porque uma pessoa não podia alugar para outra e eu estava no meio do serviço com o McDonald's simplesmente INFERNAL de tanta gente abarrotada - o que, aliás, é muito curioso, essas pesssoas comem McD a qualquer momento! Eu e Fernando, que também trabalhava na hora, tivemos que sair correndo para alugar. Vencida a fase do aluguel, vinha a outra: transporte.
Loveland é a estação de esqui mais próxima de Idaho Springs, mas fica há mais ou menos uns 40 minutos de distância - considerando-se a pista cheia de neve e a velocidade reduzida por esse motivo - e nós não tínhamos como ir. A "manha" era pegar a van dos empregados da estação que sai daqui da cidade, mas éramos SETE pessoas. Uma ou outra, até que poderiam passar desapercebidas, mas sete? Será? Saimos procurando e perguntando pra nossos colegas de trabalho, chefes, pra dona do hotel: "Você tem ou conhece alguém que tem um carro gigante que caiba sete pessoas - aqui isso nem é tão incomum - e possa nos levar amanhã cedo para Loveland - ali que ficava difícil - ?"
No fim, a dona do hotel nos indicou uma espécie de perueiro que não apareceu no dia seguinte. Ligamos, fechamos o negócio e aguardamos no outro dia. Às sete em ponto estávamos todos prontos, de roupa de esqui, prancha e - eu e outro colega - até de capacete. Só faltava a van, que nunca chegou. Foi tenso, porque esperamos até umas 8h30 e o prazo final para devolver as roupas para a loja de aluguel, sem ter que pagar, era 9h! Então aos 45 do segundo tempo ou, se você for considerar que faltavam 30 minutos para o fim do prazo, aos 15 minutos do segundo tempo - desconsiderando acréscimos, surge um
bon vivant.
Um velhinho que mora aqui no hotel topou nos levar, depois de certa negociação. Subimos em dois carros. Eu, Fernando, Antônio e Diego com o Papai Noel viciado em tabaco e Ramon, Felipe e Milena num outro carro, com os filhos ou alguma coisa assim do senhor que me levava.
Bom, como eu disse, nós acordamos cedo, no dia anterior o trabalho foi puxado e Loveland fica a cerca de 40 minutos da cidade. Resultado? Dormi no carro. Dormi e fui ouvindo aas vozes dos meus colegas se calarem uma a uma: Antônio, Fernando e Diego. Eu não sei quanto tempo eu dormi, mas não foi pouco e, quando já estava acordado e só com os olhos fechados por falta de coisa melhor pra fazer, eu escuto o velhinho perguntar a Diego: "Para onde vocês estão indo mesmo, meu filho?!".
Nós tínhamos ido parar em Frisco! Uma cidade há quase 30 milhas de distância da estação de esqui, segundo o Google Maps - acredite se quiser. No final, chegamos quase uma hora mais tarde do que o previsto, mas ganhamos um desconto gordo do bom velhinho tragador.
Finalmente, o assunto da postagem: esqui!!
Três segundos para descobrir quem sou eu na foto... PÊN! Tempo esgotado: Felipe, Diego, Fernando, Ramon, Antônio e eu.
Esquiar é uma coisa meio sadomasoquista, sobretudo no início. Isso porque você só sabe fazer duas coisas: 1 - Cair; 2 - Rir dos seus colegas caindo. Assim que se chega na parte das pistas, já começa a batalha, você tem que colocar a prancha em um pé só e ir andando/deslizando até o teleférico. A prancha desliza mais do que... do que... sei lá, do que alguma coisa que desliza muito.
Sabe, havia uma placa de aulas para iniciantes lá: 10 dólares. Mas nós, brasileiros, claro, não quisemos ou por "ah, que isso! Quero aprender na raça!" ou - como eu - por "DEZ DÓLARES?! TÁ LOKO?! SABE QUANTOS ALMOÇOS EU PAGO COM ISSO? NEM PENSAR!".
Subir o teleférico, nas quatro primeiras horas, foi o que mais gostei [vide fotos no fim da postagem]. É uma coisa tranquila, revigorante e muito bonita. Você lá em cima, vendo as montanhas cheias de gelo, as pessoas lá em baixo mandando bem no snowboard ou no esqui... O problema é descer. Das oito ou nove vezes que devo ter descido a montanha só não cai duas! [vide video no fim da postagem].
Mas acho que raras são as vezes que me senti tão feliz por ter realmente feito uma coisa que quase ninguém fez do que como me senti por ter alugado aquele bendito capacete cinza! Nas primeiras vezes você só faz cair: de frente, de costas, de lado, parado. O pior, pensando agora, é que, diferentemente da grande maioria das outras coisas, no snowboard você não precisa acelerar, você precisa frear! E, no início e sem aulas, você não sabe nada, só tenta ficar em pé emcima daquela manteiga toda que é a neve. É aí que o bicho desce acelerando e você se arrepia de medo! "Caraca, isso tá muito rápido, vou voltar pra casa na cadeira de rodas se eu não parar". E qual o único jeito que você sabe parar? Se jogando no chão. Sinceramente? A parte "traseira superior" das calças de esqui para iniciantes deveriam ter um acolchoamento melhor, se é que vocês me entendem.
Mas com o tempo você vai pegando o jeito. Tem gente que estava na segunda vez na montanha e que já manda benzaço! E tem outras que, bom, "a ida a Loveland seria muito menos divertida se não tivesse ido" haha. Eu acho que fiquei mais ou menos no meio do caminho. Não sei quando vou de novo, mas não sou uma negação completa no negócio. Embora eu tivesse pensado que fosse depois da primeira descida, que deve ter sido a mais dolorida e demorada de todas.
Ah sim, cair na neve doi. Essa conversa de que ela é fofinha e blablabla não é nada mais do que isso: "blablabla". Não é nada sério, que você fique incapacitado para sempre, mas doi sim. O porém é que você está ali para isso, todo mundo ao seu lado - caso você vá numa pista para iniciantes, claro - também está se esborrachando feio, então você acha tudo muito engraçado e continua indo. Como eu já disse, um lance meio sadô mesmo, não literalmente mas parafraseadamente, enfim....
Dica: Não fique com sua câmera fotográfica no bolso caso vá esquiar. Eles deveriam escrever isso nos manuais de esqui. Principalmente se a sua for daquelas que a objetiva fica um pouquinho pra fora, mesmo desligada. Cair sobre aquilo é pior que soco no estômago!
Fotos
Todo mundo junto, assim que chegamos: Felipe, eu, Milena, Antônio, Diego, Fernando e Ramon.
Vista das montanhas geladas em algum lugar entre Idaho Springs e Frisco (?)
Parada pra comer na lanchonete - caríssima - de Loveland. Detalhe para a jardineira style que tô usando.
Ia colocar a legenda "eu, depois de um belo tombo", mas ficou muito na cara que é posada. Então: "eu sentado na neve fingindo que acabei de levar um tombo"
Galera reunida de novo. Nunca é demais. =D Eu - aparentemente com dor nas costas, Milena, Felipe, Ramon e Fernando
Olhando para trás no teleférico (lift)
Foto olhando pra frente mas meio desequilibrado porque a câmera quase caiu.
Vista linda ainda no lift.
O outro lado. Como eu e Milena concluímos, essas estações ganhariam um dinheirão se fizessem uns teleféricos só pra passear e sair olhando a paisagem maravilhosa. Eu pagava uns 2 dólares fácil! =P Pra finalizar, a primeira descida do teleférico, lift. Eu sou o último.
Espera mais, Ennio! Espera maaaaaais! hahahahah
Ontem, sem sombra de dúvidas, entrou pra lista dos dias que muito dificilmente vou me esquecer!
Inté!
Saudades de todos.
=D